A Comissão Europeia anunciou recentemente uma importante recomendação para todos os cidadãos dos países da União Europeia: a criação de um kit de emergência de 72 horas para cada residência. Essa medida surge no contexto de um mundo cada vez mais instável, marcado por mudanças climáticas, pandemias, ciberataques, desastres naturais e até a ameaça de conflitos armados.
Neste artigo, explicamos o que está por trás desta recomendação, o que deve conter o kit de emergência e como os cidadãos portugueses podem se preparar para enfrentar situações de crise com segurança e autonomia.
Por que a União Europeia está a recomendar um kit de emergência?
A recomendação da Comissão Europeia foi publicada no dia 26 de março de 2025 e faz parte de uma nova estratégia de resiliência civil para os países da União. O objetivo é garantir que os cidadãos possam sobreviver por pelo menos 72 horas sem apoio externo, em caso de interrupções graves nos serviços públicos — como eletricidade, água, telecomunicações, saúde ou transportes.
Situações como inundações, incêndios florestais, ondas de calor extremo, ataques cibernéticos, pandemias ou até mesmo eventos geopolíticos que afetem o território europeu podem exigir respostas rápidas e eficazes da população. Ter um kit preparado pode ser a diferença entre o caos e a organização durante uma emergência.
O que é um kit de emergência de 72 horas?
O kit de emergência de 72 horas é um conjunto de bens essenciais que garantem a sobrevivência básica de uma pessoa ou família durante três dias — período crítico para que os serviços de socorro cheguem ou sejam restabelecidos.
A ideia é que cada lar tenha uma reserva mínima de alimentos, água, medicamentos e outros materiais necessários para manter-se seguro e saudável sem precisar sair à rua ou depender de serviços públicos.
O que deve conter o kit de emergência?
Embora a Comissão Europeia ainda não tenha divulgado uma lista única e obrigatória para todos os países, as orientações seguem padrões já adotados por países como Alemanha, Suécia e Finlândia. Abaixo, listamos os itens recomendados, adaptados à realidade portuguesa:
1. Água potável
- Pelo menos 6 litros por pessoa (considerando 2 litros por dia).
- Se possível, incluir pastilhas de purificação ou filtros de água portáteis.
2. Alimentos não perecíveis
- Enlatados (atum, feijão, milho, salsichas, etc.).
- Bolachas, barras de cereais e alimentos prontos para consumo.
- Frutas desidratadas e frutos secos.
- Papas instantâneas.
- Leite em pó ou UHT.
3. Equipamentos de iluminação e energia
- Lanternas de pilhas.
- Pilhas extras.
- Velas e fósforos ou isqueiro.
- Power banks carregados para telemóveis.
- Rádio portátil a pilhas para acompanhar as instruções das autoridades.
4. Medicamentos e primeiros socorros
- Kit de primeiros socorros com pensos, gaze, desinfetante, tesoura, termómetro.
- Medicamentos de uso contínuo e para situações comuns (febre, dor, alergia).
- Cópias de receitas médicas.
5. Documentos e dinheiro
- Cópias em papel de documentos importantes: cartão de cidadão, NIF, passaporte, cartão de saúde, apólices de seguro.
- Lista de contactos de emergência.
- Pequena quantia em dinheiro vivo, em notas e moedas (os pagamentos eletrónicos podem estar indisponíveis).
6. Roupa e proteção
- Mudas de roupa quente e confortável.
- Mantas ou sacos-cama.
- Máscaras, luvas e álcool-gel.
7. Higiene pessoal
- Papel higiénico, toalhetes húmidos, sabão, escova e pasta de dentes.
- Produtos de higiene íntima.
- Sacos de lixo e fechos para resíduos.
8. Ferramentas e utensílios diversos
- Canivete ou ferramenta multiusos.
- Fita adesiva, cordas, fita isoladora.
- Caderno e caneta.
- Mapas da área local.
9. Itens infantis ou específicos
- Fraldas, leite em pó, chupetas, brinquedos pequenos (caso tenha crianças).
- Ração para animais de estimação.
Como preparar o seu kit de emergência
1. Faça uma lista adaptada à sua família
Comece com os itens básicos e acrescente tudo o que for importante para os membros da sua casa. Leve em conta necessidades especiais, como medicamentos contínuos, alimentação infantil, ou limitações de mobilidade.
2. Escolha um local de fácil acesso
O kit deve estar num local seco, protegido e fácil de alcançar. Pode ser uma caixa de plástico resistente, um saco de viagem ou uma mochila.
3. Faça revisões periódicas
Verifique regularmente a validade dos alimentos, medicamentos, pilhas e carregadores. Atualize os documentos conforme necessário.
4. Elabore um plano de emergência
Estabeleça um ponto de encontro para a família, memorize contactos úteis, e informe-se sobre as rotas de evacuação e abrigos da sua zona.
É obrigatório montar um kit de emergência?
Neste momento, trata-se de uma recomendação, não de uma obrigação legal. No entanto, a Comissão Europeia alerta para a importância da preparação individual e comunitária em face dos riscos crescentes.
Em Portugal, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) já possui diretrizes semelhantes, reforçando a importância da autoproteção.
Considerações
A criação de um kit de emergência de 72 horas é uma medida simples, mas poderosa. Num cenário de crise, ele pode proteger vidas, reduzir o pânico e permitir que a resposta das autoridades seja mais eficaz.
A responsabilidade de preparar-se é de todos. Não é necessário gastar muito dinheiro: com organização e consciência, qualquer família portuguesa pode montar um kit funcional, prático e salvador em momentos de necessidade.
Em tempos de incerteza, prevenir é mais do que um ato de cuidado — é um dever de cidadania. Comece hoje a montar o seu kit e incentive familiares, vizinhos e amigos a fazer o mesmo.
Continue em nosso blog https://longevidadecerta.com/category/aplicativos/